Eu erro! Eu erro! Eu vivo errando! Eu poderia mudar um pouco, seguir outro caminho, mas eu erro e continuo errando. Gosto do erro, gosto do que faz mal.
Gosto do erro porque ele faz parte de mim! Gosto e gosto novamente. Não posso mudar nada na minha vida a não ser meu erro que tanto amo.
Eu nunca vou deixar de errar para não incomodar os outros. Caso não queira ser incomodado com meu barulho compre sua Domus onde eu tenha preguiça de chegar. Vá para bem distante, mas me dê seu endereço para que eu possa te perturbar.
Não me incomodo com seus valores e moralidades roubados de um manipulador qualquer. Mas eu gosto de ver sua cara de espanto e hipocresia. Morrendo de inveja do meu erro progressivo que nunca vai chegar a lugar nenhum, assim como essa vida que partilho com você. É meu caro, as coisas são exatamente como na idade média. A humanidade é desumana. E nada posso ter com isso, não tenho pacto com nenhuma sociedade, não assinei nenhum contrato de escravidão.
É a verdade meu amigo, ser racional é ser errante. Eu vou continuar me arrebentando por não deixar de pensar sobre a realidade dos fatos.
Meu rosto ultimamente não vem expressando alegria por consequência do meu erro. Mas antes infeliz do que morta. Morrer em vida nunca! Se for pra morrer tem que ser de morte matada. Matada pelos meus vícios ou pelos meus inimigos que tanto adoro.
Mas você não percebe que eu quero paz. Ela é o meu grito de guerra, minha última esperança. Não se pode ter paz sem estar pronto para a guerra. Essas duas forças se completam assim como a racionalidade e o erro. São a chave e a fechadura. A ação e a consequência.
Vou acordar amanhã desposta a errar, pois apenas o meu erro que me matem viva como Ades e sua angústia.